Angelo de Aquino

1945 - Belo Horizonte - MG
|

1952 - Angelo, Alexandre e Adriano de Aquino - Leblon -
RJ
|
1945 -
Nasce em 2 de agosto, Belo Horizonte, filho de Edgar Correa Aquino e Guiomar Guimarães de
Aquino. Até os 7 anos vive na capital mineira.
O pai de uma tradicional família de alfaiates é um pintor de domingo,
desenha e pinta num estilo picassiano. - O primeiro contato com a arte tivemos em nossa
própria casa, - lembra o pintor, cujo pai é amigo de vários grupos de intelectuais
mineiros.
1952 - A família se transfere para o Rio de Janeiro e passa a morar no
Leblon, primeiro na rua José Linhares, depois Afrânio de Mello Franco, até 1962.
Primário de Jardim de Infância Pequeno Polegar, depois o Santo Agostinho e o internato
numa escola em Vassouras, no Estado do Rio.
1962-1964 - O apartamento na Afrânio de Mello Franco torna-se um centro
de jovens artistas, formando um grupo do qual participam Roberto Moriconi, Gilles
Jacquard, Antonio Dias, Marcio Mattar e Dileny Campos. - Aos sábados a casa era uma
open house, - conta Aquino. Por esse período, escreve poesias, influenciado
por Arthur Rimbaud e ilustrava os seus poemas. - A ilustração começou dominando,
transformando-se em desenhos e pinturas. Em 1964, envia suas obras para Salões e
participa do Salão Nacional de Arte Moderna e do I Salão Esso de Artistas Jovens, quando
conhece artistas de São Paulo com Tomoshigue e José Roberto Aguilar.
Comecei a interestadualizar minhas amizades. - Nesse período, reuniões de uma jovem
boemia com base na galeria Dezon, em Copacabana, onde discutia-se pintura, cinema,
literatura e música. - A gente vivia numa espé-cie de atmosfera beatnik. Tentávamos ser
diferentes dos outros. Freqüenta a casa de Pedro Escosteguy, sogro de Antonio Dias. -
Eram sábados em que poetas e artistas escutavam tangos e leitura de poesia, - lembra. A
cantina do MAM se transforma em ponto de encontro dos jovens artistas.
1965 - Amizade com Hélio
Oiticica, cuja casa freqüenta no Jardim Botânico. - A casa do Hélio tinha um
fantástico cenário manguirense. - A marchand Ceres Franco, junto com Jean Boghici, vem
ao Rio para organizar uma mostra com artistas da Nouvelle Figuration, mas
procuram artistas jovens brasileiros e surge Opinião 65, no MAM-Rio, o maior
acontecimento de artes plásticas daquele ano.
 |
O concretista Waldemar
Cordeiro organiza Proposta 65 na Fundação Armando Alvares Penteado, Aquino
é o encarregado para as obras do Rio, Hélio Oiticica escreve sobre Aquino no catálogo
da mostra.
1966 - Primeiro ateliê em
Santa Tereza, dividido com Rogério Duarte, na rua José Feliciano dos Santos. É vizinho
de Newton Cavalcanti. Jean Boghici realiza na Galeria Relevo, Supermercado,
com quadros em pequeno formato, vendidos em saquinhos. Coletiva Tempo Brasileiro na
Arte, na Galeria Convívio, Salvador. Participa da mostra Arte Contemporânea
Brasileira, em Assunção. Trabalha como foca na Editoria de Esportes do
extinto O Jornal. Inicia o que chamará de atividades saloneiras,
com obras no 21º Salão Municipal de Belas Artes em Belo Horizonte e faz a primeira
individual, também na cidade, na Galeria Guignard, com textos de apresentação de Mario
Barata e Waldemar Cordeiro. Participa na coletiva Vanguarda Brasileira,
organizada pelo crítico Frederico Moraes, na Universidade Federal de Minas Gerais, onde
Hélio Oiticica faz um happening que era uma quebradeira de ovos. No
Suplemento Dominical do Estado de Minas, de 24 de julho de 1966, Aquino declara: - Tomando
uma visão, afirmo que me mantenho dentro dos limites ilimitados da vanguarda, lutando
contra regras e tabus acadêmicos.
Participa de Opinião 66. |
1967 - Mora em Ipanema,
numa vila da Barão da Torre, onde funcionaria também a Escola de Arte Triângulo, em
sociedade com Renato Landim e Gilberto Loureiro. Primeira individual no Rio, na galeria
G4, um espaço de vanguarda, projeto de Sérgio Bernardes. Frederico de Moraes assina o
catálogo. Capista de livros para a editora GRD. Freqüenta aos sábados à noite
juntamente com outros artistas a casa do colecionador Thomas Cohn. Começa a trabalhar com
o marchand Franco Terranova na Petite Galerie, na rua Teixeira de Melo. Participa do XX
Salão Municipal de Belas Artes, em Belo Horizonte, onde ganha o 2º Prêmio de Pintura,
participando do juri Frederico Moraes, Walter Zanine, Jayme Maurício, entre outros. O
crítico Frederico Moraes, sobre sua mostra na G4, escreve: Cor-Espaço: é a cor
que revela o espaço e que dá medida de sua autonomia no quadro.
Espaço-Cor: é o espaço que definindo-se da cor tira uma qualidade própria.
Uma cor estruturada no espaço.É movimento.

Angelo e Gilberto Chateaubriand - Rio de Janeiro |

Edouard Valdman e Angelo - Paris |

1988, Gesto Alucinado - José Saragoza, Rubens
Gerchman, Roberto Moriconi, Ivald Granato e Angelo de Aquino |
1968 - Participa das
reuniões políticas de artistas no Teatro Glauce Rocha, na praça Arcoverde,
onde se articula a participação dos artistas e intelectuais na passeata dos 100 mil. Ato
Institucional nº 5. Coletiva na Petite Galerie, junto de Adriano de Aquino, Maria do
Carmo Secco, Julio Plaza, entreoutros. Foi um ano em que, por causa da política e do
pânico instalado, houve poucas coisas a fazer. Franco Terranova investindo em jovens
artistas permitia alguma tranqüilida.
1969 -
Individual na Petite Galerie. Com Miguel Rio Branco e o americano Lee Jaffe realiza uma
mostra de uma noite na Galeria Goeldi com obras perecíveis. Fim da Escola de Arte
Triângulo. Faz estamparias para roupas. Colaborador da Revista Cadernos
Brasileiros, publica o artigo Arte em Crise e contos. Assessor técnico
do show Mutantes, com direção de José Agripino de Paula.
1970 - Um ano de decisão - diz o artista. Instala-se em Milão, na 5
Vila Amedei. Casa-se com Claudia Laplan. Individual no Rio na galeria Goeldi. Escreve um
artigo sobre moda Do Narciso ao Detrito e seus contos são publicados na
revista El Mundo Nuevo.
1971 - Primeira exposição no Centro Tool (de Ugo Carrega), galeria de
vanguarda em Milão. - No meu prédio morava o filho de Savino de Chirico, escritor e
irmão do pintor. Nos prédios em frente ficavam as sedes dos clubes de futebol Milan e
Internazionale, tudo perto do Duomo e perto vivia Nanni Cagnone, um crítico de arte não
oficial, mas muito respeitado - recorda.
Dá início a edição de pequenas publicações de vanguarda. Contato com grupos de
Mail Art, a partir do núcleo polonês Net. Participa da mostra
Information, na Yellow Gallery, Liége, Bélgica.
1972 - Exposição conceitual no Centro Forme, em Milão, com
texto de Nanni Cognone. O tema é a Amazônia. Coletiva Communications Trans Art
3 Inhibrodness Gallery, Sidney; Attention, Galerie Impact, Lausanne;
A.R.T., Gottinger Kunstkogrkreg, Gottingen; Halls of Art, Brno,
Tchecoslováquia; 5 Brasileiros Universidade de Porto Rico; Bienal Nacional de
Artes Plásticas (sala especial), São Paulo; Individual na Galeria Grupo B e na Veste
Sagrada. Dá início ao livro Identidade do Artista e edições conceituais
Ilusion I, II, III e About my Self. Sobre esses trabalhos,
escreveu o crítico Frederico Moraes, no O Globo, de 31 de março de 1972:
São trabalhos de grande força poética e revelam um sentimento de solidão e
isolamento. Volta ao Brasil.
1973 - Tem Ateliê no Rio,
na Av. Ataulfo de Paiva, em cima do Luna Bar, onde se reunia a intelectualidade da época.
Still para o filme Vai trabalhar Vagabundo, de Hugo Carvana. Cenários,
letreiros, figurinos e cartaz de Rainha Diaba, de Antonio Carlos Fontoura.
Pelo trabalho nesse filme recebe prêmio da Associação Paulista de Críticos da Arte de
São Paulo. Exposição na Akumulatory 2, Poznan, Polônia. Individuais na Grupo B e no
CAYC, de Jorge Glusberg. Publica Atlas Puzzle. Coletivas Natureza,
Função e Necessidade da Obra de Arte, na Galeria do IBEU, curadoria de Frederico
Moraes. Separa-se de Claudia Laplan. A.R.T., Summ Gallery, Reijavisk, Islândia;
Mirror na Ballontonboglar Chapel, Budapeste, Hungria. |



Por Chico Caruso
|
Parceria de exposições com Walter Zanine,
no MAC-SP, a primeira delas 6 Artistas Conceituais. Curador de exposições na
Veste Sagrada, com a apresentação dos australianos Peter Kennedy e Michel Parr, o
polonês Jaroslaw Kozlowski, o americano Dick Higgins - Um dos fundadores do
Fluxus, muito ligado a Wostell e John Cage, o italiano Ugo Carrega, além dos
brasileiros Barrio e Luiz Alphonsus entre outros. Trabalha em vídeos e filmes de artista,
com os quais é considerado precursor no Brasil.
1974 - Veste Sagrada se transforma em Central de Arte Contemporânea.
A galeria é inaugurada com uma exposição individual de Angelo de Aquino. Expõem na
Central: Guilherme Vaz, Paulo Herkenhoff, Ivens Machado, entre outros.
Realiza com Walter Zanine, No MAC-SP, Prospectiva 74. - A minha obra começa a
circular internacionalmente, levada pelo CAYC -, diz Aquino. Arte de Sistema en
Latino America, I.C.C., Anvers, Bélgica; Systemes Artistique en Amerique
Latine, Palácio de Beaus Art, Bruxelas; Arte de Sistemas en Latino
América, I.A.C., Londres, Inglaterra; Alternativa Video MoMa, New York,
USA; Projections of Films Made in Latin America.
The Contemporary Art Museum of Chicago, Chicago, USA; Latin America in Zagreb,
Zattar Gallery, Zagreb, Iugoslávia; Latin America Film and Video, University
of Buffalo, New York, USA; Art and Ideology in Latin America, Agora Studio,
Maastrich, Holanda.
1975 - Exposição Solidão na galeria Maison de France, com
vídeos, filmes e trabalhos sobre fotografia de Miguel Rio Branco. Tem ateliê na rua
Sambaíba, 333 no Leblon. Coletiva Art et Systéme dans la Amerique Latine
Espaço Cardin, Paris e Galeria Civicca de Arte Moderna, Ferrara; Graphics from Rio
de La Plata gallery St. Petri, University of Lund, Suécia; Problematics of
Latin America Art, École Cantonnale de Beaux Arts, Lausanne; CAYC in the
International Exhibition at Vieeshal, Milderburg, Inglaterra; Paix 75 - ONU 30
anos, New Art Gallery, Slovenj Gradek, Iugoslávia; 4º Encontro Internacional
de Video, CAYAC, Buenos Aires. Casa-se com Vera Bocayuva.

|